1991-03-01 – O Renascer da Tuna Musical

Decorrido um ano sobre a reaparição da Tuna de Óis da Ribeira, entendemos ser hora de levar aos nossos leitores o conhecimento da existência deste grupo que actua em especial para fins de beneficência, como aconteceu ao longo do primeiro ano desta nova fase.
O fundador, Jacinto Matos, ao longo da sua vida e através da Tuna, levou bem longe a terra que lhe deu nome. Durante décadas transmitiu os seus ensinamentos a muitos jovens que, mais tarde, pela batuta de seu filho Óscar Matos, viriam a dar vida à colectividade de que falamos. Este, por sua vez, seria, por capricho do destino, testemunho da sua queda e, consequentemente, depositário de todo os seu património, hoje disperso e em lugares desconhecidos.
Sim, porque a Tuna era possuidora de instrumentos, uma aparelhagem sonora e, até, duma luxuosa bandeira, constituindo tudo isto, um património cujo paradeiro todos ignoram.
Em Fevereiro do ano findo, um punhado de “sobreviventes da velha e saudosa Tuna, homenageava, a título póstumo, o seu maestro Óscar de Matos e renascia assim, um novo e improvisado agrupamento composto por instrumentos metálicos, que se colocou à disposição das comissões de festas da freguesia, sendo os seus trabalhos oferecidos em favor das obras da igreja, como aconteceu no mês de Janeiro, aquando da festa em honra do Mártir S. Sebastião, em que o valor simbólico de 30.000$00 recebido, foi entregue, na sua totalidade, à Comissão da Fábrica da Igreja.
Mas, a Tuna não tem sede própria e encontra-se obrigada a condicionalismos que reduzem as suas capacidades de seguir em frente.
Os seus componentes ensaiam em lugares inadaptados e não existem estruturas mínimas necessárias.
Não será este um caso a chamar a atenção dos poderes Públicos para que renasça, A SÉRIO, a Tuna de Óis da Ribeira?

*adaptado de um artigo escrito por J.A. (José Amadeu)

in jornal Soberania do Povo, de 01 Março 1991